Em 2015, durante dois meses, acompanhei as ocupações que tomaram conta de escolas públicas no estado de São Paulo e que, posteriormente, se espalharam Brasil afora. Tudo começou com um projeto de Reorganização Escolar, proposto pelo governo Alckmin, onde milhares de alunos seriam transferidos, muitas vezes para colégios mais distantes. Além disso, escolas seriam fechadas, acarretando inúmeras consequências negativas para toda comunidade escolar. Essa proposta de reorganização, além de interferir diretamente no cotidiano de milhares de alunos, também poderia significar um maior sucateamento da educação pública, abrindo a possibilidade de privatização.

        Inconformados com a falta de diálogo e o fato de nunca terem sido consultados a respeito do projeto, e como aquilo afetaria suas vidas, eclodiu uma revolta estudantil. Em pouco tempo, mais de 200 escolas foram ocupadas em todo estado e o então governador Geraldo Alckmin, perdeu o controle da situação. E, como de costume, a solução do governo foi responder com violência aos protestos e ações. 

        De forma autônoma, os secundaristas se organizaram e começaram a gerir as próprias escolas, buscando apoiadores para terem aulas públicas, atividades diferenciadas, bate-papos, oficinas; fazendo rotineiramente reuniões onde todos eram ouvidos; zelando pela estrutura física do lugar e fazendo até melhorias. Acompanhei de perto o movimento e entre muitos momentos de troca, risada, choros, medo, tensão, uma das coisas mais incríveis foi presenciar a evolução e o amadurecimento desses adolescentes.

       Muitos deles permaneceram envolvidos com o movimento mesmo após o final das ocupações. Logo no primeiro semestre de 2016, voltaram às ruas e tornaram a ocupar escolas e diretorias de ensino. Dessa vez por conta de um escândalo de desvio de verba da merenda escolar, envolvendo Alckmin e outros políticos próximos ao ex-governador.

      Sabendo que o projeto de Reorganização Escolar não foi cancelado, apenas prorrogado, esperamos os próximos capítulos desse movimento estudantil que surpreendeu à todos por sua coragem e determinação.  É sob o olhar da união, autogestão, zelo, gana de um futuro melhor e de uma educação gratuita, acessível e de qualidade, que se constrói esse trabalho.

ESCOLAS DE LUTA

​© Todos os direitos reservados a Renata Armelin

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